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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Recordações de Outrora III



 Mudam-se os tempos …
      É tão curioso olhar e ficar a pensar como o tempo passa e as coisas mudam. Nada é eterno, somente no nosso pensamento que um dia desaparece connosco.
       As lembranças que tenho não são iguais às da minha mãe, nem iguais às da minha avó, apesar do local das recordações ser o mesmo.
     Quando olho, vejo a minha avó à espera que chegássemos de viagem, vejo uma fotografia de um homem com um ar austero e imponente, enchendo a parede da sala de visitas.
     Os tempos mudam, as coisas mudam com as pessoas. É curioso lembrar o antes e o depois. Não que haja algo que não esteja bem, é  apenas o reflexo das pessoas que agora ocupam o lugar, das suas vivências, recordações, emoções. Já tantas gerações por lá passaram e cada uma com a sua forma de estar.
     Apesar de gostar de lembrar o passado feliz que tive, gosto também de ver o presente e sonhar o futuro.
     Agora as coisas são assim e daqui a umas gerações como serão? Que histórias se contarão? Quem virá receber à porta? Quem estará na parede da sala de visitas?
     Aquilo que sinto é que há  já pessoas da minha geração que não sentem o carinho, a paixão, a ligação, a alegria que um lugar me transmite. Talvez os seus pais não tenham tido a capacidade de transmitir o que a mim me transmitiram.
     O futuro de um lugar depende de nós no presente. Será que vamos conseguir trazer os nossos filhos e netos a lugares onde somos felizes? Será que terão o mesmo respeito pela história dos seus antepassados
M.C.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Recordações de Outrora II



«Para mim, a Reigada fez parte de um tempo mágico em que tinha de passar as férias de Verão na aldeia e de como começava sempre por ir contrariada e acabava por apreciar cada momento passado com os restantes amigos e familiares, alguns bem mais velhos do que eu e que me faziam sentir a aventura de penetrar num mundo mais adulto.

Os passeios nocturnos até às Antas, o receio de passar junto ao cemitério, as conversas intermináveis, os pic-nics no Vale do Homem ou junto ao pinheiro manso, os bailes, algumas récitas…

Para além disso o contacto com o avô João que tanto gostava de trabalhar a terra e o fazia sempre tão bem, com tanto brio. A avó Beatriz sempre pronta a dar conselhos, preocupada com a maior liberdade que as meninas podiam usufruir, todos os tios e tias que sempre nos recebiam com um sorriso acolhedor e nos ofereciam lanchinhos com iguarias que só havia na Reigada. As tardes que passámos nos balcões das casas das amigas, fazendo crochet e sacudindo as moscas que nos perseguiam. Tudo fez parte do nosso crescimento, da nossa aprendizagem de vida para sermos pessoas de bem e responsáveis.

Depois de entrar na Faculdade e no mundo do trabalho, as minhas visitas à Reigada passaram a ser mais raras e só agora, após a morte dos meus Pais, tenho sentido o compromisso e a responsabilidade de não abandonar as terras que pertenceram aos meus Avós e aos meus Pais e de tentar honrar todos os sacrifícios que fizeram para garantir que essa terras transitassem para mim e para o meu irmão.

E pronto, eis-me convertida em agricultora amadora, tentando manter ou mesmo melhorar o amanho da terra, actividade economicamente ruinosa, mas que me dá muito prazer pelo contacto com a imensidão do campo, a ausência de ruído e de multidões que me desesperam em Lisboa e pelo prazer inacreditável de ver crescer as plantas e as árvores e sentir que também estou a contribuir um bocadinho para melhorar o Ambiente e a Natureza»-



Depois de descobrir o Blog da 'Aldeia da Reigada', que muito apreciei,
decidi aceitar o convite para também participar e contribuir um bocadinho.

Maria da Graça Quelho Coelho de Carvalho Paulino de Noronha

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Recordações de Outrora

Abre-se hoje um novo espaço e um novo separador neste blog, a designar como Recordações de Outrora. Um espaço aberto a todos aqueles que queiram partilhar [num texto curto, não mais de 20 linhas] recordações que tenham da Reigada. Estão todos convidados a escrever e a enviar os textos das vossas memórias para AldeiaDaReigada@gmail.com.

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Sensações de Outrora

«Já tiveram o privilégio de acordar a ouvir as vacas a mugir, as ovelhas a balir os pássaros a chilrear?

Era assim que se acordava na Reigada há uns anos. O sol entrava sem pedir licença pelas frestas das portadas de madeira. Saltava da cama e corria para a janela de onde avistava estes belos animais a dirigirem-se para o chafariz mesmo em frente a casa.

É fantástico que quando se é criança tudo nos parece mais belo e sempre diferente. Em 15 dias que passava na Reigada, todas as manhãs ia para a janela ver os rebanhos. Aquela alvorada fascinava-me.

Ao mesmo tempo, lá em baixo, no tanque as mulheres cantarolavam ao som da sua roupa a ser esfregada na pedra.

Toda aquela rotina era fantástica para uma criança que vivia na cidade. Desde sempre que me lembro destas actividades mas, mesmo assim ficava colado à janela.

Eram tempos fantásticos, eram tempos em que a família ainda em grande número se juntava. Cada dia que passa o sentimento de saudades, das noites antigas passadas dentro da lareira da sala de estar, das histórias que a minha avó contava ao serão, invade-nos o pensamento.

São estes sentimentos mágicos, estas as sensações únicas, que associo a esta aldeia que a minha avó me ensinou a admirar».

Com amizade,
M.C.