É tão curioso olhar e ficar a pensar como o tempo passa e as coisas mudam. Nada é eterno, somente no nosso pensamento que um dia desaparece connosco.
As lembranças que tenho não são iguais às da minha mãe, nem iguais às da minha avó, apesar do local das recordações ser o mesmo.
Quando olho, vejo a minha avó à espera que chegássemos de viagem, vejo uma fotografia de um homem com um ar austero e imponente, enchendo a parede da sala de visitas.
Os tempos mudam, as coisas mudam com as pessoas. É curioso lembrar o antes e o depois. Não que haja algo que não esteja bem, é apenas o reflexo das pessoas que agora ocupam o lugar, das suas vivências, recordações, emoções. Já tantas gerações por lá passaram e cada uma com a sua forma de estar.
Apesar de gostar de lembrar o passado feliz que tive, gosto também de ver o presente e sonhar o futuro.
Agora as coisas são assim e daqui a umas gerações como serão? Que histórias se contarão? Quem virá receber à porta? Quem estará na parede da sala de visitas?
Aquilo que sinto é que há já pessoas da minha geração que não sentem o carinho, a paixão, a ligação, a alegria que um lugar me transmite. Talvez os seus pais não tenham tido a capacidade de transmitir o que a mim me transmitiram.
O futuro de um lugar depende de nós no presente. Será que vamos conseguir trazer os nossos filhos e netos a lugares onde somos felizes? Será que terão o mesmo respeito pela história dos seus antepassados
M.C.
