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terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Menino, sabes o que é a Pátria? "

«A Pátria é a terra em que nascemos, a terra em que nasceram os nossos pais e muitas gerações de portugueses como nós.

É a nossa Pátria todo o território sagrado que D. Afonso Henriques começou a talhar para a Nação Portuguesa, que tantos heróis defenderam como o seu sangue ou alargaram com sacrifício de suas vidas. É a terra em que viveram e agora repousam esses heróis, a par de santos e de sábios, de escritores e de artistas geniais. A Pátria é a mãe de nós todos os que já se foram, os que vivemos e os que depois de nós hão-de vir.


Na Pátria está, meu menino, a casa em que vieste à luz do dia, o regaço materno que tanta vez te embalou, a aldeia ou a cidade em que tu cresceste, a escola onde melhor te ensinam a conhecê-la e a amá-la, e a família e as pessoas que te rodeiam.

Na Pátria estão os campos de ricas searas, os prados verdejantes, os bosques sombreados, as vinhas de cachos negros ou de cor de ouro, os montes com suas capelinhas brancas votivas.

A Pátria é o solo de todo o Portugal, com as suas ilhas do Atlântico (Açores e Madeira, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe...), as nossas terras dos dois lados de África, a Índia, Macau, a longínqua Timor.

Para cá e para além dos mares, é a nossa Pátria bendita todo o território em que, à sombra da nossa bandeira, se diz na formosa língua portuguesa a doce palavra Mãe!»....

 
Livro de Leitura da 3ª Classe,
Porto Editora, Lda., 1958, pp.5-6

terça-feira, 10 de novembro de 2009

"Estuda e saberás"


Aluno a ser examinado
[Estado Novo]

Antigo Diploma da 4a Classe


[Estado Novo]

Deus, Pátria, Familia


Telefonia [rádio]


No tempo de Salazar, a estética ensinava-se.

sábado, 10 de outubro de 2009


Livro de Leitura da 3ªClasse

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Chegou o Outono...

Antigo Livro de Leitura da 2ªClasse

«Já desce a neblina dos montes
As folhas tombam no chão
Soluçam as águas das fontes
Atulham-se as arcas de pão.

Os velhos lagares espumam
A adega fartou-se até mais não
As brasas do azinho perfumam
As rezas do lar ao serão [...]»

domingo, 16 de agosto de 2009

Eficaz anti-nódoas, anti-alérgico, anti-séptico...

O Sabão Azul, também conhecido como Sabão Offenbach ou Sabão alemão, ou Sabão Marselha ou ainda Sabão Solavar azul, é utilizado desde a antiguidade e conhecido por ser anti-alérgico, anti-séptico e o sabão português com o melhor desempenho na lavagem de roupa muito suja.

Nota: O sabão azul tem um perfume suave, é fantástico na lavagem de roupa [nomeadamente para lavar roupa de pessoas alérgicas e de bebés ou nódoas muito difíceis], e de louça, mas pode também ser utilizado na higiene pessoal porque lava igualmente bem o corpo e o cabelo. Aliás, desde desengordurar fornos até matar bicharada nas plantas, o sabão azul serve para lavar tudo [e lavar a língua com sabão azul também não faria mal algum a certas criaturas...]

quarta-feira, 29 de julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Balanço


O blog Aldeia da Reigada foi, até agora, um projecto pessoal e independente concebido, produzido, fotografado e editado por um só autor [sem qualquer participação e/ou apoio da Junta de Freguesia ou do Município de Figueira de Castelo Rodrigo, como alguns pensam].

Seis meses depois da criação do blog Aldeia da Reigada, o que começou por ser um álbum de fotografias do nevão de 9 de Janeiro e, um pouco mais tarde, uma decisão/determinação de combater o isolamento agravado da aldeia desde que passou a ser um mero entroncamento na estrada nova que liga Almeida a Figueira de Castelo Rodrigo e colocar a Reigada no mapa virtual de pesquisa da worldwide web, [preservando, em simultâneo, o registo das raízes e identidade do património da aldeia], ganhou proporções inesperadas pelo impacto que este teve junto da comunidade de emigrantes no Brasil, Alemanha, França, etc, bem como de muitos residentes em Portugal com ligações à Reigada. A elevada média de visitas colocou o Aldeia da Reigada entre os 700/800 blogs portugueses mais visitados, [hoje em 704º lugar] consequentemente com responsabilidades cívicas e de cidadania acrescidas.

Não obstante, cerca de 300 fotografias e duas mil duzentas e setenta e oito visitas depois, o blog da Aldeia da Reigada continua a não ter qualquer importância [muito menos relevância] para a quase totalidade dos habitantes da Reigada. Mais. Apesar de muitos assumirem a sua condição de infoexcluidos são exactamente muitos desses os piores críticos deste blog, o que só confirma que a interioridade associada ao entroncamento rodoviário têm vindo a agravar no tempo a dificuldade em acrescentar horizontes a uma aldeia onde ainda é possível, por exemplo, ouvir um comerciante local afirmar que quem não é de cá não faz cá falta. O que nos remete de imediato [de um modo irónico, claro] para aquele verso de Fernando Pessoa: Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo. Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer. Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não, do tamanho da minha altura...

Assim, a decisão de encerrar a página, cumprido que estava o objectivo de preservar a memória colectiva da aldeia no seu essencial e já ultrapassado o facto de a Reigada ser a aldeia não turística com mais fotografias na worldwide web, surgiu como algo natural, mas... esbarrou em comentários, vários telefonemas e, sobretudo, muitos emails de pessoas que pediam a sua continuidade; bem como nas supra-citadas responsabilidades cívicas e de cidadania. Até que o adiar do seu fim passou a ser séria e ponderadamente reequacionado após dois apoios irrecusáveis.

Dito isto, tenho a honra e o prazer de anunciar que o blog Aldeia da Reigada ganhou um novo fôlego e de agora em diante ganhou também o contributo e o olhar personalizado sobre a aldeia dos membros de duas ilustres casas da Reigada, o que vai enriquecer enormemente esta página!

Uma colecção muito interessante de fotografias antigas da Reigada (muitas delas com cerca de 100 anos) - propriedade da família Castro Solla - a partilhar com todos os interessados através do blog é a primeira de muitas surpresas a acontecerem por aqui em breve! Encerra-se, pois, um ciclo e ínicia-se outro. Fique atento.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A Cartilha Maternal



A Cartilha Maternal de João de Deus publicada em Portugal ainda no século XIX, funcionou durante muito tempo como método oficial de aprendizagem da leitura. [É natural que muitos que visitem este blog ainda tenham aprendido pela Cartilha Maternal!]. A Cartilha Maternal na Internet é uma página muito bem conseguida, funcional e ainda muito útil para ensinar quem queira aprender a ler! Dos 5 aos 10 anos e não só.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Outros Tempos - 15/08/1998

'Tromba d'água' causa prejuízos na Reigada

Na segunda-feira à tarde ainda havia sinais da enxurrada provocada pela forte trovoada, acompanhada de granizo, que se abateu sábado à noite sobre a aldeia da Reigada, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. As águas transbordaram o ribeiro que atravessa a aldeia, atingindo nos pontos mais baixos cerca de um metro acima do solo, o que provocou o corte ao trânsito da Estrada Nacional 392, que liga Almeida a Figueira, e inundando casas. Segundo fonte da Protecção Civil da Guarda, que se deslocou para o local uma hora depois da surpreendente ocorrência, a corrente de água atingiu tal velocidade que para além de inundar o rés do chão de grande parte das habitações nalguns casos arrastou consigo diversos haveres das garagens, como potes de azeite, tendo mesmo ameaçado levar um reboque automóvel.

Perante o cenário, que obrigou os habitantes a refugiarem-se nos andares cimeiros das habitações, houve quem temesse o pior e pedisse barcos aos bombeiros e Protecção Civil da Guarda para evacuar as pessoas. O que causaria, inclusive, algum susto a estes responsáveis pelo teor do alarmismo. Mas tal intervenção não seria necessária porque nunca houve pessoas em perigo e a rapidez que fez subir as águas foi a mesma que as fez descer. Tratou-se de uma espécie de 'tromba de água' ou 'gota de água', no dizer dos espanhóis, um fenómeno provocado pelas diferenças térmicas entre as massas de ar frio e aquecimento local.

As inundações, que causaram também elevados prejuízos na agricultura, arrasando campos e culturas nomeadamente olivais e vinhas. Os bombeiros de Figueira de Castelo Rodrigo continuavam na segunda-feira com a limpeza das lamas nas ruas (como se vê na foto) enquanto os populares deitam contas à vida já que, nalguns casos, os prejuízos materiais foram elevados. [Terras da Beira 20/08/98]

Outros Tempos - 05/10/2000

De Pinhel até Figueira
Pela estrada amaldiçoada

FOTO Vinte e cinco quilómetros de pouca brita e pouco alcatrão e mais de 150 curvas separam Pinhel de Figueira de Castelo Rodrigo pela ER 221. Também conhecida por "Excomungada", esta estrada perigosa ganhou má fama na década de 70. Mas nem por isso é hoje menos utilizada.

Longe de ser uma viagem agradável ou descontraída, embora a paisagem a isso convide, a passagem pela Estrada Regional (ER) 221, mais conhecida por "excomungada", que liga Pinhel a Figueira de Castelo Rodrigo, «requer sete olhos e um alerta constante». Quem o garante é Carlos Coelho, de 27 anos, funcionário bancário em Pinhel e utente diário da estrada amaldiçoada. Residente em Figueira de Castelo Rodrigo, Carlos Coelho chega a transitar na "Excomungada" quatro vezes ao dia. Medo não sente mas reconhece que há receio quando o Inverno se aproxima «uma vez que a estrada é sombria e o gelo não ajuda, o mínimo descuido pode ser fatal e as protecções laterais são um bem raro, já para não falar na pouca brita e no quase inexistente alcatrão», garante. Mesmo assim, pode considerar-se um felizardo, pois, apesar de já ter apanhado alguns sustos, o que é certo é que até hoje nunca teve problemas em atravessar a ER 221. Já assistiu contudo a acidentes naquela estrada. Carlos Coelho recorda uma manhã em que o condutor que seguia à sua frente foi embater contra a barreira de protecção. «Por sorte teve reflexos, caso contrário ia ribanceira abaixo.» Inclusivamente a mesma situação viria a suceder à sua esposa, em noite chuvosa de Inverno, mas felizmente do incidente apenas resultaria «um pouco de chapa amolgada». Mas o que torna verdadeiramente complicada a circulação naquela estrada são os camiões pesados que diariamente utilizam a "Excomungada" para o transporte de pedra, máquinas e alcatrão. E aqui o problema nem chega a ser o da ultrapassagem difícil dado a via ser tortuosa e estreita. Segundo Carlos Coelho, o maior susto que já apanhou foi o de uma curva encoberta por vegetação. A sorte esteve do seu lado ao avistar o veículo pesado «lá longe» e abrandou. «Ainda bem que o fiz porque o camião fez a curva ocupando por completo a via onde eu circulava», recorda.

A situação poderá ser mais grave ainda quando os veículos pesados circulam sem carga. Carlos Coelho garante que os camionistas «conduzem a uma velocidade alucinante», o que muitas vezes se traduz, para os condutores que se cruzam com eles na estrada, num «entrar na valeta» obrigatório. Tudo isto numa estrada onde em apenas vinte e cinco quilómetros existem cerca de 150 curvas, na sua maioria sem visibilidade, e onde os "rails" de protecção são escassos. Trata-se de um circuito onde proliferam as ribanceiras e onde os precipícios alertam para a profundeza do longo vale do Côa.

Alternativas precisam-se

A alternativa, via Almeida, pressupõe um acrescento de mais de vinte quilómetros e de mais meia hora de caminho. «É o dobro do caminho, o dobro do desgaste, o dobro do combustível e o dobro do tempo», garante Carlos Coelho. Talvez por isso, a "Excomungada" continue a ser a mais requisitada por todos quantos vivem em Pinhel e trabalham em Figueira, ou vice versa. Mesmo assim, apesar da "Excomungada" ser utilizada por centenas de utentes diariamente e ser também a única via que une Pinhel a Figueira de Castelo Rodrigo, não é conhecido qualquer projecto para a sua recuperação a curto prazo.

Armando Pinto Lopes, presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, ainda tentou há cerca de um ano, através de um ofício dirigido a Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social, com que a "Excomungada" fosse recuperada, mas como resposta obteve um «não é considerada prioritária». Já o troço que faz a ligação de Barca D'Alva a Figueira, foi considerada pelo ministro como estando «em quinto lugar na lista de prioridade das estradas dos distrito da Guarda». O projecto deste troço da ER 221 até já «está concluído há mais de dois anos», recorda o autarca de Figueira, e é também há dois anos que a autarquia aguarda por luz verde do governo para que seja aberto o concurso da obra. A única solução apontada pelo autarca em alternativa à "Excomungada" passaria pela «construção de uma outra via, aproveitando o troço de Pinhel a Vale de Madeira [actualmente em boas condições], fazendo o arranjo depois de Vale de Madeira até ao Côa, seguindo depois por Cinco Vilas, em direcção à Reigada até Figueira». No entanto, o autarca reconhece que este novo traçado exigiria a construção de uma nova ponte sobre o Côa, o que poderá dificultar a viabilidade económica da construção. Mas se este traçado fosse avante, «a Excomungada" - o nome diz tudo - ficaria apenas como uma estrada de passeio, para apreciar a beleza paisagística» e apagar o passado negro do itinerário. Até porque, sustenta Armando Pinto Lopes, «são raras as curvas da malfadada estrada que não têm uma estória fatídica de acidentes». O autarca recorda uma viagem que fez para Pinhel, com o antigo motorista da Câmara. «Lembro-me que ele era capaz de referir em quase todas as curvas os nomes das pessoas que aí tinham sofrido acidentes, alguns deles fatais». Uma estória que ainda é mais negra quando se recua à década de 70, altura em que a Excomungada ainda não sofrera obras de alargamento. «Não se cruzavam sequer dois autocarros», recorda o autarca.

Já no entender de António Cavalheiro, presidente da Câmara Municipal de Pinhel, «hoje em dia há pouca gente a ir pela Excomungada, a maior parte prefere ir por Almeida porque apesar da distância ser maior, a estrada é mais segura». Mesmo assim, o autarca defende a sua recuperação, embora reconheça que existem outras ainda mais prioritárias para o concelho, é o caso do troço «Pinhel - Guarda e do troço Pinhel - Vila Franca das Naves». [Terras da Beira - 05/10/00]